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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Na companhia do medo

Jorge Lorenzo registrou no último sábado (28) o pior resultado de sua carreira na MotoGP. Depois de largar na nona colocação, o espanhol recebeu a bandeirada em 13º, 1min04s641 atrás de Marc Márquez, que venceu pela oitava vez em 2014.

Após a prova, o piloto de Palma de Mallorca não se escondeu atrás de desculpas esfarrapadas, assumiu toda a responsabilidade pelo desempenho ruim e reconheceu que estava assustado demais com as condições da pista de Assen.

Lorenzo registrou seu pior resultado na MotoGP no GP da Holanda deste fim de semana (Foto: Yamaha)
Com a pista encharcada, os pilotos tiveram de largar para o GP da Holanda com pneus de chuva, mas logo tiveram de ir aos boxes para pegar as motos devidamente equipadas com os pneus slicks. Após a troca, entretanto, uma fina garoa começou a cair em alguns pontos do traçado.

A água não foi suficiente para provocar uma nova rodada de pit-stops, mas serviu para assustar o bicampeão, que viveu um fim de semana heroico no mesmo circuito de Assen um ano antes.

Em 2013, Lorenzo sofreu uma queda nos treinos de quinta-feira e fraturou a clavícula esquerda. Jorge embarcou rumo a Barcelona, foi submetido a uma cirurgia e voltou imediatamente para a Holanda. 30 horas após a cirurgia, o espanhol alinhou na 12ª colocação do grid e recebeu a bandeirada em quinto.

“Provavelmente foi a minha pior corrida na MotoGP. Minha pior posição final”, admitiu Jorge, que chegou a cair para a 17ª colocação. “A moto funcionou bem no molhado. A moto também trabalhou bem no seco. Mas eu não estava confiante o bastante”, seguiu.

“Eu simplesmente estava assustado nesta pista. Quando vi a chuva caindo em algumas curvas, eu simplesmente não quis correr riscos”, declarou. “Então foi 100% minha culpa. Tenho que me desculpar com o time, com as pessoas que trabalham comigo e os fãs, pois eu fui incapaz de ser valente, de ser rápido nessas condições de pista como os meus rivais”, continuou.

Lorenzo fez uma prova heroica em Assen no ano passado (Foto: Yamaha)
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Quando a chuva parou, o bicampeão conseguiu melhorar seu ritmo e recuperar algumas das posições perdidas, mas terminou apenas em 13º.

“Foi uma pena. No seco nós éramos competitivos, mas, nessas condições, foi culpa minha. Não fui corajoso e não fui competitivo. No ano passado, fiz algo impossível, este ano foi o oposto. Eu era o piloto mais assustado”, sublinhou. “Quando vi algumas gotas caindo em algumas curvas quando estava com os pneus de pista seca, simplesmente não quis arriscar cair novamente e me machucar outra vez nesta pista. Provavelmente, a memória do ano passado me deixou muito consciente dos riscos e assustado demais para ser rápido”, ponderou.

“Toda vez que vinha a chuva e eu sentia a moto se mover um pouco, eu tinha flashbacks. Nas últimas voltas, quando parou de garoar, minha performance foi mais aceitável, mas não antes”, indicou. “Venci corridas onde você muda de moto, mas nós não temos muitas corridas nessas condições, com chuva nos slicks. Hoje eu estava assustado demais. Você tem que admitir isso, aceitar e tentar encontrar a razão. Felizmente, essas condições não acontecem com frequência”, concluiu.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Quase lá

Segundo colocado no Mundial de MotoGP, Valentino Rossi voltou a afirmar nesta quarta-feira (25) que está muito perto de renovar seu contrato com a Yamaha. O italiano retornou ao time em 2013, após dois anos difíceis na Ducati.

O atual vínculo de Rossi chega ao fim neste ano, mas depois de conseguir melhorar sua performance em relação ao ano passado, o multicampeão não esconde o desejo de seguir com a casa de Iwata por mais dois anos.

http://high-side.blogspot.com.br/2013/11/a-obra-prima-de-valentino-rossi.html Livro com história de Rossi na Yamaha é lançado no Brasil

Renovação de contratos foi um dos temas principais da coletiva desta quarta (Foto: Divulgação/MotoGP)
Em uma coletiva de imprensa no circuito de Assen, palco no GP da Holanda deste fim de semana, Rossi negou que o anuncio de sua renovação será feito na Catedral, mas ressaltou que não deve demorar para assinar um novo contrato com a fábrica nipônica.

“Eu estou muito, muito perto de continuar com a Yamaha por mais duas temporadas”, disse Valentino. “É a minha meta e acho que a Yamaha concorda”, continuou.

“Não neste fim de semana, mas acho que em breve. Nós não estamos prontos, mas não estamos tão longe”, explicou.

Se a situação do italiano está praticamente definida, o mesmo não se pode dizer de Dani Pedrosa. Também no último ano de seu contrato com a Honda, o espanhol ainda não iniciou as negociações com a equipe, mesmo após Shuhei Nakamoto, vice-presidente executivo da HRC, admitir publicamente o interesse em manter o piloto como companheiro de Marc Márquez.

Questionado se já tinha alguma definição sobre seu futuro, Dani respondeu: “Não, ainda não tem nenhuma notícia. Como eu disse na última corrida, quando tiver alguma notícia, vou dizer para todo mundo”.

Andrea Dovizioso, cujo vínculo com a Ducati também termina em 2013, seguiu a linha de Pedrosa e não quis falar muito sobre seu futuro. Recentemente, Simone Battistella, agente do italiano, admitiu uma mudança para a Suzuki, que volta ao certame no próximo ano, é bastante atrativa.

“É, como o Dani disse, ainda é um pouco cedo para tomar uma decisão. Quer dizer, eu não tenho um limite para decidir”, explicou, afirmando que já começou a negociar com a Ducati. “Nós começamos a conversar em Barcelona e veremos quando será o melhor momento para tomarmos uma decisão”, concluiu.

Quem também segue com o futuro indefinido é Stefan Bradl. Oitavo na classificação do Mundial, o germânico contou que começou a conversar com a LCR em Barcelona, mas ainda não tem nada definido.

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Amém

Única prova do calendário atual que permanece no Mundial desde o programa inaugural de 1949, o GP da Holanda é também o único onde a corrida não é realizada no domingo.

Sempre que a MotoGP volta a Assen, a dúvida sobre o motivo da realização da prova no sábado ressurge, mas, desta vez, foi Valentino Rossi quem tratou de explicar.

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Bom aluno, Rossi explicou motivo de o GP da Holanda ser realizado aos sábados (Foto: Yamaha)
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (25), o italiano mostrou que está por dentro da história do certame e explicou as razões religiosas por trás da modificação do programa tradicional.

“Eu sei! Eu sei! Estou preparado!”, disse Rossi ao ser questionado sobre o motivo de a prova ser realizada um dia antes do normal. “É porque a pista era perto de uma igreja e o padre não queria barulho no domingo. Então decidiram fazer a corrida no sábado. Acho que é por isso”, explicou.

“É estranho porque a Superbike corre no domingo, então talvez o padre prefira a Superbike e não a MotoGP”, brincou.

Presente no calendário desde a criação do Mundial de Motovelocidade, Assen passou por diversas mudanças ao longo do tempo. O circuito original, que foi usado até 1954, tinha 16,5 km. Em 1955, a pista foi reduzida para 7,7 km. Uma nova mudança aconteceu em 1984, quando a metragem caiu para 6,1 km.

Corridas de moto acontecem em Assen desde 1925 (Imagem: Divulgação)
http://high-side.blogspot.com.br/2013/11/a-obra-prima-de-valentino-rossi.html Livro com história de Rossi na Yamaha é lançado no Brasil

Por questões de segurança, a pista passou por uma nova intervenção em 2006, quando a medida caiu para os atuais 4,5 km.

“Tenho sorte, pois talvez eu seja o único aqui que correu no circuito antigo, nas 125cc, nas 250cc e também nas 500cc”, comentou Rossi. “Mas eu corri no antigo Assen com a NSR500 e foi incrível. Infelizmente, em 2006 eles modificaram a pista. É, com certeza, ‘menos’ que antes, mas, de qualquer forma, é uma grande pista, especialmente a última parte, que é muito rápida e, com a MotoGP, dá muita adrenalina em todas as voltas”, completou.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Valente

Jorge Lorenzo foi submetido a uma avaliação médica na última segunda-feira (1) para verificar a condição de sua clavícula esquerda após sua heroica participação no GP da Holanda. De acordo com os médicos, o esforço decorrente da prova em Assen não resultou em nenhuma outra lesão além daquela que havia sido tratada anteriormente.

Na quinta-feira, durante a segunda sessão de treinos livres, Lorenzo sofreu uma violenta queda em Assen, a mais de 200 km/h. Atendido no centro médico do circuito, Jorge foi diagnosticado com uma fratura na clavícula esquerda.

Lorenzo largou em 12º (Foto: TT Circuit Assen)
Sem vaga disponível nos hospitais holandeses para efetuar a cirurgia, o piloto foi para Barcelona em um avião fretado – pago por ele mesmo – para operar. O procedimento cirúrgico foi realizado na madrugada daquela sexta-feira e, poucas horas depois, Lorenzo estava de volta ao avião para embarcar rumo a Assen.

Naquela mesma noite, Jorge já fazia alguns exercícios, com a meta de se preparar para a avaliação física a que seria submetido para poder correr na Holanda. Pouco mais de 30 horas depois da cirurgia, o bicampeão da MotoGP foi autorizado a disputar a prova. Largando em 12º, o espanhol terminou em quinto.

“O esforço físico exigido no GP da Holanda não parece ter causado nenhuma consequência”, explicou a Dra. Teresa Sola, médica que operou o piloto no Hospital Geral da Catalunha, após verificar a cicatrização, a mobilidade e a condição da fratura por meio de um raio-x.

Também, Jorge foi liberado para iniciar seu processo de recuperação e se preparar para o GP da Alemanha, que acontece no circuito de Sachsenring no próximo dia 14.

A atuação de Lorenzo em Assen, aliás, repercutiu com vários pilotos – de dentro e de fora da MotoGP –, com muitos deles reconhecendo a valentia do espanhol.

Confira algumas das declarações sobre o feito do piloto de Palma de Mallorca:

Valentino Rossi: “Jorge é o verdadeiro herói, porque ele fez algo próximo do inacreditável. Quando soube que ele queria voltar, pensei que talvez isso fosse algo que eu não poderia fazer. Fazer uma cirurgia depois de uma grande queda e tentar correr depois de apenas um dia é incrível”.

“Ele assumiu um risco, mas ele pilotou como sempre na primeira parte da corrida e talvez esses pontos sejam muito importantes para o campeonato dele. E ele mostrou para todos que quer muito vencer.”

Cal Crutchlow: “Estou feliz por Jorge ser quinto e este é um bom resultado para muitos pilotos em um dia normal. É um pouco embaraçoso para muitos pilotos e quando ele me passou, foi embaraçoso. Eu não podia acreditar que ele estava tão forte no início da corrida e quando eu o segui, ele estava tão suave como sempre. Ele começou a ser rápido e eu pensei que ele podia passar Marc e lutar pela liderança. Eu esperava que ele ficasse um pouco mais fraco no fim da corrida. Foi um trabalho incrível e todo crédito para ele para salvar alguns pontos no Mundial”.

Marc Márquez: “Tenho muito respeito por Jorge, pois o que ele fez foi uma grande surpresa para todos. Ele correu um risco, mas também somou 11 pontos no campeonato e ele sabe que esses pontos serão importantes. Você precisa ser muito inteligente para fazer uma corrida como esta com a clavícula naquelas condições”.

Dani Pedrosa: “Jorge fez um super trabalho. Estou muito impressionado com a forma como ele voltou de uma lesão de dois dias atrás. Sua força de vontade foi muito impressionante. Acho que Jorge mostrou que ele é muito duro e muito forte. E ele mostrou que estava muito rápido na corrida e com certeza ele teve muita dor”.

Bradley Smith: “Eu ia dizer para vocês o quanto o meu punho doeu ao longo do fim de semana em Assen e, especialmente, durante a corrida pelo nono lugar. Eu então olhei para as façanhas extraordinárias de Jorge Lorenzo e isso fez os meus esforços parecerem pouco mais que algo básico”.

“Terminar em quinto em uma corrida de 26 voltas apenas 36 horas depois de uma cirurgia em casa, em Barcelona, para colocar uma placa de titânio e oito parafusos em uma clavícula fraturada em um treino livre, mostra o quanto um título mundial significa para ele.”

“Foi uma mensagem clara para qualquer aspirante a campeão mundial sobre o que você deve estar preparado para passar por cima para conquistar sua ambição.”

“Você tem de estar pronto para colocar seu corpo e o limite da dor na linha. Jorge certamente fez isso ao longo do fim de semana.”

Álvaro Bautista: “Este fim de semana foi especial por conta das circunstâncias. Primeiro a lesão de Jorge na quinta. Ele foi para a casa, operou, e voltou para correr! Sinceramente, não pensei nem que ele pudesse ligar a moto. Creio que ele merece todo respeito e admiração pelo que fez. Está claro que ele é um campeão. Marc também não fica atrás, ele caiu no sábado e fraturou dedos da mão e do pé. Esta lesão afeta menos a pilotagem, mas incomoda muito e não é fácil com estas motos tão pesadas e com tanta potência. Também é preciso tirar o chapéu, de novo, para ele. Outro campeão. E para arrematar a corrida, Rossi voltou a ganhar outra vez. Parecia que estava lhe custando acompanhar o ritmo dos três da frente, mas nesta pista ele estava muito forte e soube aproveitar a ocasião para subir no degrau mais alto do pódio. Parabéns a todos eles pelo corridão que fizeram”.

Sam Sunderland: “Começando a perceber o quão louca é a MotoGP... Esses caras são loucos!! Lorenzo – clavícula quebrada na quinta-feira, operação na sexta, corrida no sábado. Márquez – grande queda, dedo quebrado e aí termina em segundo!!!”

Julián Simón: “Hoje este esporte mítico que é o motociclismo se tornou ainda maior com gestos como o de Jorge e o retorno do maior de todos: Valentino Rossi #Heróis”.

Heikki Kovalainen: “Eu disse para vocês ontem que sentia que Lorenzo ia voltar. Tiro o chapéu para ele. É preciso coragem para correr com uma clavícula quebrada”.

Álex Rins: “Os milagres com Lorenzo existem!! Valente! O mago da MotoGP. #magiclorenzo99”.

Maverick Viñales: “Impressionante! O que fez correndo hoje em Assen foi brutal e te faz ainda maior! Parabéns, Jorge! Um abraço”.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O campeão voltou

Jorge Lorenzo foi o grande herói do GP da Holanda, mas a prova em Assen foi uma festa completa nos boxes da Yamaha. Depois de 2 anos, 8 meses e 19 dias, Valentino Rossi voltou ao degrau mais alto no pódio para conquistar a sua 47ª vitória pela fábrica de Iwata, a 80ª na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

Ao cruzar a linha de chegada de Assen à frente de Marc Márquez – aquele que é apontado por muitos como seu substituto (em talento e carisma) –, Rossi mostrou ao mundo e, principalmente, a si mesmo, que ainda é capaz de vencer.

Após a vitória, Rossi não conseguia esconder a alegria e colocou o triunfo na Catedral como uma das melhores vitórias de sua carreira. “Esta é uma das vitórias mais especiais da minha carreira. É uma que eu quis muito, que eu esperei muito”, declarou. “Coloco este GP no pódio das minhas vitórias, porque faz muito tempo desde que eu venci e espero que isso possa aumentar a minha velocidade e nível, e eu possa lutar com esses caras todos os finais de semana”, comentou.

Valentino reconheceu que também tinha suas dúvidas em relação a suas chances de voltar a vencer e lembrou as duas difíceis temporadas que viveu com a Ducati entre 2011 e 2012.

Parceiro de todos os momentos, Jeremy Burgess celebra triunfo em Assen com Rossi (Foto: Yamaha)
“Sinceramente, eu não estava certo de que eu poderia vencer novamente, porque faz muito tempo desde a minha última vitória em Sepang, mas também porque foi um momento difícil. Tive duas temporadas muito difíceis, muito frustrantes, com muitos resultados ruins”, recordou. “O lado positivo é que a Yamaha me deu outra chance de pilotar uma M1 de fábrica, então um grande obrigado à Yamaha.”

Extasiado com o triunfo, Rossi afirmou que precisaria assistir a corrida outra vez para entender o que acontecia. “Gosto deste momento, mas ainda não assimilei muito bem. Preciso assistir a corrida algumas vezes para ver quando cruzei a linha de chegada na primeira posição.”

“Eu precisava de tempo para estar 100%”, falou. “Foi um resultado muito bom na primeira corrida e depois disso eu tive muitas dificuldades e não pude usar o meu estilo. A partir do teste em Aragón nós demos um bom passo e fui muito rápido em todos os treinos aqui e me senti bem”, explicou.

O multicampeão italiano contou que sentiu muito confiante em Assen e as coisas correram de acordo com o que ele imaginava e planejava. “Nós não mudamos nada entre o warm-up e a corrida e esta é a primeira vez desde 2002”, disse. “Antes da corrida, pensei que tinha de vencer e que este era o meu dia.”

“Jorge estava ferido e não em 100%, então eu tinha de tentar vencer e a corrida foi perfeita. Fiz uma ótima largada e passei Cal [Crutchlow] e Stefan [Bradl] na primeira volta, e aí eu estava com as duas Honda”, relatou. “Esta era a minha meta, porque eu sabia que Marc e Dani tinham um ritmo muito forte. Eu era um pouco mais rápido e ultrapassei Marc, mas eu precisei de mais algumas voltas com Dani, e uma vez na ponta, mantive o meu ritmo.”

“Em um momento, vi em um telão que Jorge estava muito perto e eu pensei: ‘Pô, será um grande problema se ele chegar na minha frente com uma clavícula quebrada’”, brincou. “Quando vi na minha placa que era Marc e não Dani que estava em segundo, eu entendi que podia vencer”, continuou.

Por fim, Valentino reforçou que ele e seu time não estavam certos de que poderiam voltar a vencer, mas destacou que nunca desistiu. Rossi, no entanto, lembrou que é cedo para dizer se ele voltou à sua antiga forma ou não.

“Nós não estávamos certos de que poderíamos vencer outra vez, mas nós nunca desistimos. Uma semana depois do Catar, todos diziam que Valentino estava jovem outra vez, mas depois de Austin, era que Valentino estava acabado”, afirmou. “Eu fiquei no mesmo nível, mas para estar no topo, você precisa de tudo 100%. Eu estava pilotando como no ano passado, quando cheguei 30s depois.”

“A coisa mais importante é ficar 100% concentrado e física e mentalmente preparado para as corridas e dar o meu melhor. Não vou vencer toda semana, mas ainda tenho o potencial, a paixão e a força para lutar toda semana”, encerrou.

Com o resultado em Assen, Rossi atingiu a marca de 4646 pontos ao longo desses 18 anos de carreira no Mundial de Motovelocidade.

sábado, 29 de junho de 2013

Nasce um mito

O GP da Holanda de MotoGP é uma daquelas corridas que entrará para a história. Não só pela vitória de Valentino Rossi após um jejum de 2 anos, 8 meses e 19 dias, mas pela ação heroica de Jorge Lorenzo.

Antes de embarcar rumo a Assen no início da semana, o espanhol estava confiante em conquistar um novo triunfo. Na quinta-feira, seu mundo virou de cabeça para o baixo. Uma forte queda a mais de 200 km/h no segundo treino livre parecia ter acabado com suas chances de título e aberto caminho para o primeiro Mundial de Dani Pedrosa.

Levado a um hospital local, Lorenzo não encontrou vaga para ser operado, então decidiu ir para Barcelona em um jatinho fretado para uma passar por cirurgia naquela mesma madrugada. Algumas horas depois, Jorge teve alta e voltou ao jatinho para retornar a Assen e tentar correr.

Última lesão séria de Lorenzo tinha sido em outubro de 2011, quando perdeu parte de um dedo em um acidente na Austrália (Foto: Yamaha)
 Além das dores decorrentes do acidente, Jorge ainda teve de lidar com o cansaço das viagens e com um difícil teste físico, uma exigência dos médicos do Mundial de Motovelocidade para autorizar sua participação na disputa. Do momento em que foi operado ao momento em que recebeu o ok para poder correr, pouco mais de 30 horas se passaram.

Nesse meio tempo, muitos disseram que ele era louco, outros tantos chamaram os médicos da categoria de irresponsáveis. Para mim, nem um, nem outro.

Ele sabia sua real condição e os médicos da MotoGP têm experiência o bastante para saber quais são os limites. O Dr. Claudio Costa, por exemplo, está no Mundial pelo menos desde os tempos que o pai de Valentino Rossi corria. E foi ele quem ficou nos boxes da Yamaha acompanhando o piloto.

Saindo no 12º posto, Lorenzo fez uma largada muito boa e foi escalando o pelotão pouco a pouco. No fim, sucumbiu a dor e ao cansaço, se isolando no quinto posto e se ocupando em levar a M1 de volta para casa. O resultado de seu imenso esforço foi a perda de dois únicos pontos para Pedrosa, que agora tem nove pontos de vantagem na classificação do Mundial, ao invés dos sete que tinha anteriormente.

Um pouco depois de seu triunfo, Héctor Martín, seu assessor de imprensa, revelou que foi o próprio piloto quem arcou com custos de toda essa operação. O que mostra, ainda mais, seu empenho.

Mesmo dolorido, Lorenzo teve disposição para posar para fotos com os fãs e falar com a imprensa, explicando o que foram esses últimos três dias. “Quando eu soube que tinha fraturado a clavícula, pensei que perderia as próximas duas ou três corridas. Logo conversei com o meu pessoal, que fez todo o possível para que eu fosse operado logo. Eu tinha de esperar 24 horas para expulsar a anestesia, porque, do contrário, não teriam me deixado participar. Foi por isso que operei na sexta-feira”, justificou.

“Na quinta, meu erro foi não ver o verdadeiro perigo da pista, que estava muito ruim e com muitas poças d’água, era muito fácil cair. A minha ambição me irritou, por não ver o risco”, falou. “Voltei a errar depois de alguns anos sem me lesionar com gravidade. Mas em nenhum momento eu pensei em disputar a corrida. Nunca tinha acontecido de um piloto correr 48 horas depois de fraturar a clavícula. Era impossível imaginar isso.”

“Antes de operar eu tinha muita dor, mas depois de passar pela cirurgia, a lesão doía mesmo. Eu me senti mais forte. E ali eu decidi”, relatou. “Antes de operar, é claro que eu pensei: ‘Vamos operar e ver o que acontece’. Sem descartar nada, mas com muito ceticismo. Mas depois da intervenção, ficou mais claro que eu podia tentar”, contou.

“De manhã, quando eu acordei, tinha muita dor. Mais do que ontem. Depois de dormir oito horas em uma posição que, talvez, não fosse a adequada para a clavícula, você sempre levanta com dores por todo o corpo. Depois, quando o corpo fica mais quente, você se sente melhor”, ponderou. “Me fizeram uma infiltração para sair no warm-up, não muito, e isso deixou as coisas mais difíceis. Para a corrida, me infiltraram mais e no princípio estava bem, mas com o esforço o meu rendimento baixou.”


Jorge segurava o braço esquerdo para tentar diminuir as dores da lesão (Foto: Yamaha)

Antes de ser liberado para a corrida, Jorge foi submetido a um exame físico. Ciente de que teria de passar pela prova, o piloto de Palma de Mallorca aproveitou a noite de sexta-feira para treinar – fazendo flexões.
“Nós sabíamos mais ou menos os testes que fazem com os pilotos quando têm uma lesão como a minha. Primeiro te fazem fazer umas flexões de pé contra a parede, depois flexões na horizontal, no nível desta mesa (cerca de 80 cm) e mover o braço”, contou. “Então ontem à noite nós praticamos um pouco para ver como estava e vi que eu conseguia fazer. E nesta manhã eu até estava um pouco melhor. Depois do warm-up me fizeram menos testes, a folha de tempos também ajudou, e nos deram o ok.”

Lorenzo, entretanto, rechaçou as críticas que diziam que seu ato era uma loucura. “Nunca estive louco. Não sou uma pessoa maluca e acredito que não exista nenhum piloto louco. Ao contrário. Nós somos pessoas muito sensíveis, porque devemos notar todas as sensações que a moto transmite para evitarmos quedas”, falou.

“Alguns são mais ou menos sensíveis, mas não loucos. Talvez, quando mais jovens, sejamos um pouco mais inconscientes do risco. Mas não com 26 anos”, reforçou. “Eu tinha muito claro, claríssimo, que se não me visse capaz de correr e se a minha condição física não me permitisse ser competitivo ou pudesse colocar os outros em risco, não disputaria a corrida.”

“Quando saí no warm-up, vi que tinha um ritmo bom e que podia tentar. Se tivesse me sentido mal na corrida, mareado ou sem força para continuar, teria parado. Garanto.”

Questionado se foi o momento mais impressionante de sua carreira, Lorenzo respondeu: “Sim, sem dúvida. Supera a dos tornozelos na China [Em 2008, sua temporada de estreia na MotoGP, Jorge fraturou os dois tornozelos, mas correu da mesma forma]. Se eu fosse um corredor de 100 metros ou de 1500, evidentemente não poderia ter corrido, mas na moto atrapalha muito menos ter os tornozelos fraturados. É mais complicado correr com a clavícula fraturada”, indicou.

O piloto também falou sobre a corrida deste sábado, quando largou em 12º para chegar em quinto. “Quando vi que larguei bem e que as voltas iam passando e eu estava em quinto, fiquei emocionado. Me ver ali muitas voltas depois atrás do primeiro grupo e sem me afastar, e até mesmo reduzindo a diferença em alguns momentos, me emocionava. De verdade”.

“Não sabia como o corpo ia responder, se eu aguentaria toda a corrida. Mas a partir da sétima volta, já vi que o esforço com o lado direito do corpo ia me fazer pagar no fim da corrida. E foi isso que aconteceu”, contou. “O grande esforço que tinha que fazer com a parte direita do meu corpo, não poder usar o lado esquerdo, me deixou sem forças para ter um ritmo mais constante no final e poder, quem sabe, lutar com Dani pela quarta posição.”

“Eu pensava que Dani estava em segundo. Eu tentava ver os telões do circuito, mas não conseguia ver direito. Faltando duas voltas, vi que estava em quarto e a verdade é que eu fiquei muito contente”, revelou.

Também, Jorge falou sobre as lágrimas no fim da corrida e disse que não conseguiu segurar a emoção vendo seu time e seus amigos o aplaudindo no retorno aos boxes.

“Não consegui evitar o choro”, comentou. “Não sou uma pessoa que chora muito e é a primeira vez que eu choro em cima da moto. Não chorei nem quando ganhei os títulos, mas desta vez eu não consegui evitar quando vi toda a equipe me aplaudindo. Depois mais, e quando vi Ricky [Cardús] ali, também aplaudindo, chorei mais ainda”, disse rindo, e explicando que eram lágrimas de dor e principalmente por “pensar que era impossível correr nessa prova, impossível, mas por ter conseguido por causa da força interna.”

Durante a entrevista, um repórter disse ao piloto:

- Você é um herói!

- Não. Heróis são aqueles que trabalham duro só para chegar ao fim de cada mês. Eu sou pago para fazer essas coisas.

Lorenzo pode até não se achar um herói, mas o que fez hoje foi heroico. Jorge ganhou o respeito e a admiração de muitas pessoas que ainda tinham dele a mesma impressão daquele menino que chegou ao Mundial em 2008 querendo bater o rei da categoria.

O bicampeão pode nunca tomar o lugar de Valentino Rossi no coração dos fãs da categoria, mas certamente terá um lugar entre os maiores de todos os tempos.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Respeito

Jorge Lorenzo sofreu um forte acidente na última quinta-feira (27), durante o segundo treino livre para o GP da Holanda de MotoGP. Na queda, o bicampeão fraturou a clavícula esquerda e precisou passar por uma cirurgia – onde os médicos introduziram uma placa de titânio e oito parafusos – para estabilizar o osso. 

A cirurgia foi feita nesta madrugada em um hospital de Barcelona, mas Jorge não ficou muito tempo no hospital. O piloto teve alta no início da tarde na Espanha e já está de volta ao circuito de Assen.

E o plano de Lorenzo é correr. Amanhã pela manhã ele será submetido a uma avaliação médica e aí decidirá se vai para a pista ou não. Caso decida correr, Jorge vai largar na 12ª colocação, já que seu desempenho no primeiro treino livre lhe rendeu uma vaga no Q2, a fase decisiva da sessão classificatória da MotoGP.


Lorenzo voltou para Assen poucas horas depois de operar a clavícula (Foto: Yamaha)
A vontade de Lorenzo de estar na pista neste sábado foi um dos temas mais populares no paddock da Mundial de Motovelocidade durante todo o dia, como muitos pilotos manifestando suas opiniões. O consenso geral é que só o piloto da Yamaha sabe sua real condição e muitos dos colegas do espanhol entendem a importância deste gesto levando em conta a classificação do Mundial.

Pole no GP da Holanda, Cal Crutchlow afirmou que a participação de Lorenzo na prova será heroica. “Se o Lorenzo correr, será meu herói”, disse, se lembrando de uma experiência pessoal.
“Eu fraturei a minha clavícula em Silverstone em 2011 e quando eu vim para cá [duas semanas depois], tive um exame médico com flexões”, contou. “Se ele for aprovado, é muito forte. Talvez ele possa fazer alguma meditação ou alguma coisa antes”, ponderou.

“Se ele passar, tenho certeza de que pode pilotar. Guiar a moto é, provavelmente, mais fácil do que as flexões”, comentou. “Se há uma chance, você sempre corre. Você tem de ser inteligente, porque tem muito mais risco de se machucar ainda mais. Mas o instinto de um piloto é sempre de voltar imediatamente.”

Companheiro de Cal no time de Hervé Poncharal, Bradley Smith falou sobre a situação do bicampeão ao site britânico ‘Motorcycle News’. “Você tem de fazer o que for preciso para vencer o campeonato mundial e se ele sente que está pronto e quer ir e marcar uns pontos, então eu não sou o cara para dizer para ele fazer o contrário”, declarou.

“Ele sabe sua condição física e a equipe médica só vai liberá-lo se acreditarem que ele está pronto para pilotar”, ponderou. “Ele deu tudo para estar onde está no campeonato. Você só precisa olhar para o quanto ele trabalhou nos testes de inverno”, lembrou Smith.

“Ele está constantemente trabalhando e se eu estivesse no lugar dele, faria a mesma coisa. Se eu estivesse lutando pelo Mundial, então não me importaria com o que dissessem e viria correr”, seguiu. “É um pouco louco, mas é isso que nós pilotos fazemos e esse é o tanto que um título mundial significa. E ele só está mostrando o que está disposto a fazer para vencer mais um ano”, completou.

Rival de Lorenzo na luta pelo título e com um grande histórico de lesões, Dani Pedrosa também falou sobre a situação do rival e ressaltou a força mental do piloto da Yamaha.

“Creio que no momento ele demonstra uma mentalidade bastante forte”, avaliou. “Mas, bem, essas coisas também dependem muito de como você se sente depois de uma operação. Tem dias que te fazem isso [uma cirurgia na clavícula] e quando você acorda você não pode nem abrir os olhos. E tem vezes em que você acorda mais inteiro. Ele é o único que sabe como está e acho que amanhã tomará a decisão. Teremos de perguntar a ele quando chegar.”

Em relação ao Mundial, Pedrosa afirmou que não está se preocupando com a ausência ou não de Lorenzo na prova holandesa. “Se ele vai correr ou não, são coisas que ele vai decidir e escolher seu caminho”, ressaltou. “Eu tenho de seguir fazendo o meu, estar concentrando em fazer as minhas corridas, meus treinos e em colocar a minha energia ali. A oportunidade é a mesma se você tem um rival mais próximo ou mais distante. No final, se você pode sair e fazer a sua corrida, tem a sua oportunidade”.

Perguntado se a volta de Lorenzo poderia ser uma estratégia psicológica do representante de Iwata, Dani declarou: “Especular agora não serve para nada”.

Companheiro de equipe de Jorge, Valentino Rossi também falou sobre a situação do espanhol. “Se ele está confiante e se sente bem o bastante para correr amanhã, então é uma boa escolha”, opinou. “Se amanhã ele não se sentir bem ou estiver com dor, então a boa opção é não correr. Ele está lutando pelo campeonato, então se ele quer tentar, é bom”, completou o italiano.

Pouco depois de chegar ao paddock de Assen, Lorenzo postou no Twitter uma foto onde fazia flexões para se preparar para o exame médico deste sábado. Não é garantido, entretanto, que Jorge obtenha a autorização dos médicos para correr. Em 2011, em Barcelona, Colin Edwards tentou correr um dia após uma operação na clavícula, mas não foi considerado apto.

Disputando ou não o GP da Holanda, Lorenzo merece respeito por pelo menos tentar estar lá. É muita coragem.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Nas alturas

Os trabalhos para o GP da Holanda começaram nesta quarta-feira (26) com a tradicional coletiva de imprensa dos pilotos. Depois de cumprir o compromisso com os jornalistas, Jorge Lorenzo foi conhecer o traçado por um ponto de vista diferente.

Aproveitando que a organização da corrida realizou um evento de balonismo, o bicampeão da MotoGP foi dar um passeio de balão.

Lorenzo foi conhecer o traçado por um ponto de vista diferente (Foto: TT Circuit Assen)
A Holanda é uma potência no balonismo, inclusive sediando um famoso festival. A MotoGP é um show a parte nesses eventos promocionais.
Balões foram o grande destaque do primeiro dia da MotoGP em Assen (Foto: TT Circuit Assen)

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Catedral

A MotoGP desembarca em Assen neste fim de semana para a sétima etapa da temporada 2013 do Mundial. Às vésperas da corrida, Dani Pedrosa, líder do campeonato com sete pontos de vantagem para Jorge Lorenzo, deu suas impressões sobre o circuito.



Falando em Pedrosa, eu fiz uma entrevista com ele para a edição 39 da Revista Warm Up. O link é este aqui.

Para entrar no clima da corrida, que entrou no calendário do Mundial de Motovelocidade 64 anos atrás, a Dorna, promotora do campeonato, preparou esse vídeo aqui: