segunda-feira, 8 de julho de 2013

A volta das 500cc

Scott Redding está se tornando um local no circuito de Spa-Francorchamps. Depois de guiar uma BMW M3 GT4 do DTM, o britânico voltou ao traçado belga no último domingo (7) para uma nova experiência. Desta vez em duas rodas.

O líder do Mundial de Moto2 teve a chance de guiar a Suzuki RGV500, a moto que Kevin Schwantz utilizou em 1994, quando a classe rainha do Mundial de Motovelocidade ainda utilizava as lendárias motos 500cc. A presença de Redding fazia parte da tradicional ‘Parada 500GP’, que integra um evento anual chamado ‘Bikers Classic’, e contou com a presença de outros mitos do esporte, como Giacomo Agostini, Phil Read, Wayne Gardner e Christian Sarron.

Redding tinha ao seu lado no grid grandes estrelas da motovelocidade (Foto: Marc VDS)
“Alinhando no grid com todos aqueles campeões ao meu redor, me senti como se estivesse realmente participando de um GP das 500cc”, declarou Redding. “Sentado na moto em frente a uma enorme multidão, cercado por tipos como Wayne Gardner, Christian Sarron e Didier De Radigues, senti a real sensação de como deve ter sido para Kevin Schwantz quando ele alinhou para correr com esta moto em 94. Foi uma experiência incrível”, destacou.

O que era para ser uma parada de dez voltas, logo se transformou em uma corrida, que foi vencida por Steve Plater, que estava pilotando a Suzuki RGV500 XR88 na qual Kenny Roberts foi vice-campeão em 1999. Redding ficou com o segundo posto, depois de brigar por posições com Sarron, Gardner e De Radigues.

“Tive uma boa largada para liderar até a Eau Rouge, mas esta foi a minha primeira vez nesta pista em duas rodas, em uma moto em que eu só subi uns dez minutos antes”, falou. “Os outros caras rodaram ontem, então eles tinham um pouco de vantagem nas primeiras voltas, mas não levei muito tempo para sentir a moto e descobrir as linhas. Eu consegui me recuperar até o segundo lugar e aí tive uma ótima batalha com Steve Plater nas últimas voltas”, contou.

Atual líder da Moto2 guiou moto que foi de Kevin Schwantz em 1994 (Foto: Marc VDS)

A RGV 500 XR84 que Scott guiou pertence a Steve Wheatman, um empresário de Northamptonshire. A moto pesa 135 kg e produz cerca de 195 bhp com seu motor V4 dois tempos de 498cc, atingindo uma velocidade de até 320 km/h. Um equipamento completamente diferente da 600cc quatro tempos que Redding está acostumado a guiar na Moto2.

“A moto é absolutamente incrível”, exaltou. “Ok, os freios não são ótimos, mas nós esperávamos por isso. O manuseio é incrível, porque a moto é muito leve. É realmente fácil de mudar de direção. Ela acelera muito forte também, com a frente levantando em todas as marchas.”

“Não precisei de um conta giro. Eu só mudava sempre que sentia que o pneu dianteiro estava para cima o bastante! Tem muita potência, mas é bem confortável, nada como aquela potência afiada que eu estava esperando”, comentou. “Eles deveriam trazer elas de volta. Foi absolutamente incrível de pilotar!”

Foi nessa mesma moto que Schwantz conquistou seu último triunfo no Mundial, no GP da Inglaterra, em Donington Park, também palco da primeira vitória de Redding.

“Eu estava com o joelho para baixo e podia ver que o cotovelo estava bem próximo, então eu só inclinei um pouco mais e foi”, explicou. “Não acho que eles tenham feito isso nas 500 em 1994, mas os pneus que usamos hoje oferecem muito mais aderência do que aqueles que Kevin Schwantz tinha para competir quando corria com essa moto”, ponderou.

Com a experiência de domingo em Spa, Redding entra para a seleta lista de pilotos que provaram os equipamentos dois e quatro tempos da classe rainha do Mundial de Motovelocidade. No ano passado, o britânico testou a Desmosedici da Ducati em Mugello.

“Eu gostaria de dizer um grande obrigado a Steve Wheatman por me deixar solto em sua moto cara para caramba, e também a Olivier Aerts por organizar isso hoje. Foi muito divertido e espero que eu tenha a chance de repetir a experiência em um futuro não muito distante”, concluiu.

sábado, 6 de julho de 2013

Argentina 1 X 0 Brasil (2)

O circuito de Termas de Río Hondo recebeu pela primeira vez nesta semana as motos do Mundial de Motovelocidade. Cal Crutchlow, Stefan Bradl, Álvaro Bautista, Héctor Barberá, Tito Rabat e Nico Terol estiveram na pista de Santiago del Estero para uma bateria de testes, que tinha um caráter muito mais promocional do que esportivo.

Apesar dos poucos pilotos e de não ter contado com os grandes nomes da categoria – como Valentino Rossi, Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo e Marc Márquez –, o exercício contou com casa cheia e marcou o triunfo dos argentinos em seu retorno ao calendário da MotoGP.

Traçado de Termas de Río Hondo receberá MotoGP em 2014, 2015 e 2016 (Foto: Argentina MotoGP)
O Ministério do Turismo da Argentina confirmou nesta semana que a prova passará a integrar o calendário do Mundial em 2014, repetindo a experiência em 2015 e 2016.

A julgar por essa primeira bateria de testes, o circuito, que foi remodelado por Jarno Zaffelli, do Studio Dromo, é um sucesso. A pista ganhou elogios de todos os pilotos, que também destacaram o interesse dos fãs pela categoria. O que é, obviamente, um ponto chave para a corrida do ano que vem.

Se um teste esvaziado como o dos últimos dias conseguiu atrair um bom público para o circuito, a Dorna, promotora do Mundial, pode esperar casa cheia para a etapa de 2014.

A empresa espanhola, aliás, deve estar dando pulos de alegria com o resultado desta experiência. A Dorna não esconde seu interesse no mercado sul-americano e agora tem o Brasil como próxima meta. No momento, nós não temos nenhum circuito com condições de passar pelo crivo da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), mas temos alguns sinais bastante promissores no horizonte. Mas isso é assunto para outro dia.

Confira as declarações dos pilotos sobre o circuito de Termas de Río Hondo:



Cal Crutchlow: “Este teste foi uma das poucas oportunidades onde não há tanta pressão, então eu pude me divertir com os outros caras na pista. Hoje em dia na MotoGP você tem de estar no limite e dando 100% em cada volta em todo teste ou corrida, então foi bom poder ter um pouco de diversão na moto. Nós coletamos algumas informações para a Yamaha e a Bridgestone, mas não estou certo de quão útil isso será, porque as condições da corrida serão completamente diferentes. A pista estava bem suja, mas alguns setores são incríveis. Algumas curvas são realmente rápidas e lá tem muitas oportunidades de ultrapassar, então acho que serão ótimas nas três classes. Foi uma ótima viagem e muito importante para a Dorna e a Yamaha promover a MotoGP em um mercado tão importante como a Argentina. Estou orgulhoso por a Tech 3 e a Monster terem sido capazes de desempenhar um papel tão importante nisso. Eu gostaria de agradecer a todos os envolvidos na nossa visita desta semana. Eu amei cada minuto da minha primeira visita à Argentina. É ótimo experimentar outra cultura e a recepção e a hospitalidade que nós recebemos foi incrível e eu nunca esquecerei da minha primeira visita à Argentina. Foi incrível de ver o apoio e a paixão pela MotoGP e agora eu mal posso esperar para voltar no ano que vem”.



Stefan Bradl: “Foi a minha primeira visita à Argentina e nós tivemos uma grande acolhida de todos. Eles são muito interessados na MotoGP e é legal levar o campeonato de volta para lá pela primeira vez desde 1999. Junto com Álvaro e Cal, nós fizemos um tour em Termas, descobrindo a nova cultura e o lugar é muito legal. Antes de viajar, eu olhei o layout do circuito na internet e pareceu realmente rápido. E é! Acho que é perfeitamente adequado às motos da MotoGP, mas a grande dúvida são os pneus, porque os primeiros indicativos mostram que a superfície aqui é muito abrasiva para os pneus”.



Álvaro Bautista: “É a primeira vez que visitei a Argentina e estou vivendo uma experiência maravilhosa. Nós tivemos uma recepção maravilhosa em Buenos Aires, com uma grande presença de jornalistas, e na quarta-feira nós tivemos um dia maravilhoso de turismo em Termas de Río Hondo. Foi muito agradável”.

“Na quinta-feira nós fomos para a pista e começamos a ganhar confiança com o circuito, que tem um traçado tecnicamente interessante. Foi uma sessão de estudo e teste de algumas soluções de acerto. Confesso que o circuito me surpreendeu. Eu tinha visto uma foto e tinha gostado, mas me senti cômodo desde as primeiras voltas. A pista é boa, grande e divertida, com algumas curvas que fazemos com a MotoGP acelerando e derrapando. Conforme o circuito for sendo usado, ele irá melhorando mais. É um bom circuito e não tem nenhum ponto perigoso. Eu quero ressaltar a presença do público, que me deixou alucinado. Tinham arquibancadas que estavam quase cheias e sempre que pude, cumprimentei as pessoas, pois ver um teste como o que tivemos aqui, não deve ser muito divertido.”



Héctor Barberá: “Termas de Río Hondo é um traçado espetacular. É muito divertido e muito rápido, talvez um dos mais rápidos do campeonato. O circuito é bom, reúne as condições para estar no campeonato e tem muita segurança. Eu destacaria que a pista é muito grande e isso fará com que as corridas sejam bonitas, com muitas ultrapassagens por conta de seu tamanho. Além disso, o público é incrível, então estou ansioso para correr aqui”.



Nico Terol: “A verdade é que eu gostei muito do traçado. É um circuito muito grande, o asfalto parece que terá muita aderência quando estiver limpo. A pista combina uma área sinuosa com outra muito rápida. Nesta segunda zona, têm duas curvas muito legais, uma de quinta e outra de sexta [marchas]. Além disso, também há uma mudança de direção que desemboca em uma curva cega. Quando você acelera, a moto levanta um pouco. Tem seus segredos!”



Tito Rabat: “Estou muito contente de estar na Argentina e ter sido um dos primeiros a rodas neste espetacular circuito. O traçado me encantou, com curvas rápidas, ângulos, vários pontos de ultrapassagem, todos os ingredientes para oferecer corridas espetaculares quando viermos aqui no ano que vem para competir. Além disso, notamos o carinho e o apoio dos fãs argentinos que, apesar de ser um teste com poucos pilotos, vieram em grande quantidade para nos ver e apoiar”.

(As fotos são de Andy Dubrowsky e Sergio Canclini, para Argentina MotoGP)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Diploma

Disputar o Mundial de Motovelocidade não é exatamente uma tarefa compatível com estudos regulares. Muitos pilotos – especialmente os da Moto3 – têm de se desdobrar para conciliar as intermináveis viagens com a rotina de estudos e são pouquíssimos aqueles que chegam à universidade.

Axel se formou esta semana (Foto: Pons)
Contrariando a regra, Axel Pons concluiu seus estudos na universidade La Salle, em Barcelona, e se formou em Negócios e Tecnologia.

“Foi duro, como demonstra o fato de que quase ninguém se atreve a conciliar o motociclismo de elite com os estudos, mas, no fim, a recompensa da graduação paga com folga todos os esforços”, declarou o piloto da Pons. “Eu gostaria de agradecer a La Salle e toda sua equipe de professores pelas facilidades que me deram para seguir o ritmo dos meus estudos, apesar das continuas viagens por todo o mundo para disputar corridas de Moto2”, completou o piloto.

Além da formatura, Axel também foi submetido a uma cirurgia no braço direito nesta semana para corrigir a síndrome compartimental. Atendido pelo Dr. Xavier Mir, um dos mais renomados entre os atletas da motovelocidade, Pons explicou que está se recuperando bem e deve estar pronto para a etapa de Sachsenring, que acontece na próxima semana.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

GP da República da Argentina

O ministro do Turismo da Argentina, Enrique Meyer, confirmou na tarde desta quinta-feira (4) que o circuito de Termas de Río Hondo vai receber etapas do Mundial de Motovelocidade em 2014, 2015 e 2016. O anúncio foi feito durante a visita do ministro ao circuito, que recebe uma bateria de testes da MotoGP nesta semana.

Acompanhado pelo governador da província de Santiago del Estero, Gerardo Zamora, e do secretário-executivo do Instituto Nacional de Promoção Turística, Leonardo Boto, Meyer destacou que é uma honra para o país poder receber a principal divisão do motociclismo mundial.

“É uma grande honra para a Argentina receber esta categoria, que se soma aos demais eventos esportivos que se realizam no nosso país, como o Rali Dakar”, declarou. “Esperamos que o público argentino possa desfrutar da categoria máxima do motociclismo, que não vem ao nosso país desde 1999, e faremos todo esforço para que a MotoGP fique no nosso país por muito mais tempo”, continuou.

Bradl foi o mais rápido no primeiro treino da MotoGP na Argentina (Foto: Argentina MotoGP)
O ministro também destacou o feedback positivo que recebeu dos pilotos sobre o traçado, que foi completamente reformado para atender as exigências da FIM (Federação Internacional de Motociclismo). O projeto do novo circuito foi feito por Jarno Zaffelli, do Studio Dromo.

“Estamos recebendo criticas muito boas por parte dos pilotos em relação ao circuito, já que o mesmo possui setores de alta velocidade e curvas em que os competidores devem explorar suas habilidades ao máximo”, comentou. “Nós estamos muito contentes por receber este evento, que serve como preparação para o GP que receberemos em 2014.”

Cal Crutchlow, um dos pilotos que participa desta primeira bateria de testes, elogiou o traçado e afirmou que os pilotos tiveram uma fantástica recepção do público argentino.

“Nós tivemos uma recepção absolutamente fantástica na Argentina e depois de ver o entusiasmo pela MotoGP, estou feliz por finalmente ir para a pista demonstrar o espetáculo que os fãs vão ver no ano que vem”, disse o piloto da Tech3. “A nova pista é muito impressionante e é realmente uma ótima instalação da qual a Argentina pode se orgulhar.”

“A pista ainda está muito suja, então nós só estamos curtindo rodar por ela e aprendendo o máximo possível enquanto também sentimos a emoção de ser um dos primeiros a pilotar um protótipo da MotoGP aqui”, falou. “É incrível quantas pessoas vieram aqui para nos receber e ver pilotar. Esperamos que possamos fazer um bom show no próximo ano e ter uma corrida fantástica, porque realmente parece que vai acontecer na frente de um grande público”, opinou.

Crutchlow elegeu a curva 6 como a sua favorita (Foto: Argentina MotoGP)
“A pista tem uma grande mistura de curvas longas e rápidas, e algumas são apertadas, então é muito importante ter um bom ritmo. Eu realmente gostei da curva 6, que é longa e em declive. É realmente legal de pilotar e acho que todo o grid da MotoGP vai vir aqui e amar a pista”, concluiu.

Neste primeiro dia de treinos em Termas de Río Hondo, Stefan Bradl anotou a melhor marca. A bordo da RC213V da LCR, o germânico registrou 1min47s075, 2s529 mais rápido que Crutchlow. Álvaro Bautista fez o terceiro tempo, seguido por Héctor Barberá.

Entre os pilotos da Moto2, Tito Rabat foi o mais rápido. O piloto da Pons anotou 1min52s552 em sua melhor volta e ficou à frente de Nico Terol, da Aspar.

Pelas minhas contas, o placar já está em Argentina 10 x 0 Brasil. Mas fica a dica: dá tempo de contratar o Jarno Zaffelli para reformar Brasília e trazer a MotoGP cá. Se precisarem do contato dele, ajudo numa boa!

O plano não era bem esse

A aventura de Casey Stoner na Dunlop Series, categoria de acesso à V8 Supercars Australiana, pode estar perto de chegar ao fim. Em entrevista ao site australiano ‘Speedcafe’, o bicampeão da MotoGP afirmou que ainda não sabe o que vai fazer no próximo ano, mas considera a possibilidade de tirar um ano sabático.

Cansado da rotina exigida pela MotoGP, Casey decidiu pendurar o capacete após sete anos na elite da motovelocidade mundial. O plano inicial era se afastar das corridas, mas com a oportunidade da Triple Eight em um projeto envolvendo a Red Bull, o piloto de 27 anos decidiu mudar os rumos de sua carreira e confirmou participação na Dunlop Series.

Stoner queria vida mais tranquila fora da F1 (Foto: Red Bull Photo Files)
“Este ano eu estava planejando ficar completamente afastado, mas nós discutimos algumas coisas e eu pensei que a Dunlop Series fosse a opção perfeita”, declarou. “Como você não pode testar nesses carros, a Dunlop Series era perfeita, porque você tem poucos dias de teste e aí vai correr sem pressão e todas aquelas coisas. A ideia era perfeita para mim, mas tem sido muito mais movimentado do que eu gostaria que fosse”, comentou.

“Eu realmente só precisava de um ano longe. Faço isso desde que tinha quatro anos de idade. Viajei pelo mundo sem parar e só preciso de um tempo longe para fazer tudo que sempre quis”, continuou. “E aí acho que poderei fazer outros planos.”

Mesmo se mostrando decepcionado com seu atual ritmo de vida, Casey afirmou que ainda não decidiu o que vai fazer no ano que vem. “Neste momento, nada foi decidido ainda. Nós não sabemos o que queremos fazer, mas no próximo ano será muito mais sobre mim e a minha família do que viajar por aí”, garantiu.

“Eu realmente gostaria de desacelerar e me familiarizar com a vida um pouco”, completou o ex-piloto da Honda, que ocupa a 23ª colocação na classificação da Dunlop Series.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Fala muito!

Enquanto Cal Crutchlow cruzava o Oceano Atlântico para participar do primeiro teste da MotoGP no circuito de Termas de Río Hondo, na Argentina, a Bennetts, uma seguradora britânica que patrocina o piloto andou falando mais do que deveria.

No Twitter, a empresa inglesa escreveu: “Uma fonte nos disse que Cal Crutchlow recebeu uma oferta da Ducati que pode ser finalizada em Sachsenring”.

Questionada por uma seguidora se se tratava da Ducati de fábrica ou da Pramac, a empresa respondeu que se tratava do time oficial de Borgo Panigale.

Cal está na Argentina para participar do teste da MotoGP (Foto: Argentina MotoGP)
Também pelo microblog, Crutchlow respondeu: “Sai fora! Suas fontes estão erradas. Pode ser hoje, amanhã, em um ano ou em dez!”.

Crutchlow não esconde sua insatisfação com sua posição de piloto satélite da Yamaha e já deixou claro para a casa de Iwata que quer um contrato de fábrica para o próximo ano.

Com pouquíssimas vagas no grid e sem muitas chances de conseguir um contrato de fábrica com a Yamaha, o britânico está negociando com todo mundo, inclusive com a Ducati. A ligação com a fábrica de Bolonha, aliás, não é de hoje. Ano passado o britânico chegou a assinar um pré-contrato com o time vermelho, mas acabou preterido por Andrea Dovizioso.

É bem verdade que a Ducati já conquistou um título na MotoGP – com Casey Stoner –, mas a Desmosedici ainda está muito longe de ser competitiva. Não vale muito a pena trocar sua vaga satélite com uma M1 para uma vaga de fábrica com uma moto italiana.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Valente

Jorge Lorenzo foi submetido a uma avaliação médica na última segunda-feira (1) para verificar a condição de sua clavícula esquerda após sua heroica participação no GP da Holanda. De acordo com os médicos, o esforço decorrente da prova em Assen não resultou em nenhuma outra lesão além daquela que havia sido tratada anteriormente.

Na quinta-feira, durante a segunda sessão de treinos livres, Lorenzo sofreu uma violenta queda em Assen, a mais de 200 km/h. Atendido no centro médico do circuito, Jorge foi diagnosticado com uma fratura na clavícula esquerda.

Lorenzo largou em 12º (Foto: TT Circuit Assen)
Sem vaga disponível nos hospitais holandeses para efetuar a cirurgia, o piloto foi para Barcelona em um avião fretado – pago por ele mesmo – para operar. O procedimento cirúrgico foi realizado na madrugada daquela sexta-feira e, poucas horas depois, Lorenzo estava de volta ao avião para embarcar rumo a Assen.

Naquela mesma noite, Jorge já fazia alguns exercícios, com a meta de se preparar para a avaliação física a que seria submetido para poder correr na Holanda. Pouco mais de 30 horas depois da cirurgia, o bicampeão da MotoGP foi autorizado a disputar a prova. Largando em 12º, o espanhol terminou em quinto.

“O esforço físico exigido no GP da Holanda não parece ter causado nenhuma consequência”, explicou a Dra. Teresa Sola, médica que operou o piloto no Hospital Geral da Catalunha, após verificar a cicatrização, a mobilidade e a condição da fratura por meio de um raio-x.

Também, Jorge foi liberado para iniciar seu processo de recuperação e se preparar para o GP da Alemanha, que acontece no circuito de Sachsenring no próximo dia 14.

A atuação de Lorenzo em Assen, aliás, repercutiu com vários pilotos – de dentro e de fora da MotoGP –, com muitos deles reconhecendo a valentia do espanhol.

Confira algumas das declarações sobre o feito do piloto de Palma de Mallorca:

Valentino Rossi: “Jorge é o verdadeiro herói, porque ele fez algo próximo do inacreditável. Quando soube que ele queria voltar, pensei que talvez isso fosse algo que eu não poderia fazer. Fazer uma cirurgia depois de uma grande queda e tentar correr depois de apenas um dia é incrível”.

“Ele assumiu um risco, mas ele pilotou como sempre na primeira parte da corrida e talvez esses pontos sejam muito importantes para o campeonato dele. E ele mostrou para todos que quer muito vencer.”

Cal Crutchlow: “Estou feliz por Jorge ser quinto e este é um bom resultado para muitos pilotos em um dia normal. É um pouco embaraçoso para muitos pilotos e quando ele me passou, foi embaraçoso. Eu não podia acreditar que ele estava tão forte no início da corrida e quando eu o segui, ele estava tão suave como sempre. Ele começou a ser rápido e eu pensei que ele podia passar Marc e lutar pela liderança. Eu esperava que ele ficasse um pouco mais fraco no fim da corrida. Foi um trabalho incrível e todo crédito para ele para salvar alguns pontos no Mundial”.

Marc Márquez: “Tenho muito respeito por Jorge, pois o que ele fez foi uma grande surpresa para todos. Ele correu um risco, mas também somou 11 pontos no campeonato e ele sabe que esses pontos serão importantes. Você precisa ser muito inteligente para fazer uma corrida como esta com a clavícula naquelas condições”.

Dani Pedrosa: “Jorge fez um super trabalho. Estou muito impressionado com a forma como ele voltou de uma lesão de dois dias atrás. Sua força de vontade foi muito impressionante. Acho que Jorge mostrou que ele é muito duro e muito forte. E ele mostrou que estava muito rápido na corrida e com certeza ele teve muita dor”.

Bradley Smith: “Eu ia dizer para vocês o quanto o meu punho doeu ao longo do fim de semana em Assen e, especialmente, durante a corrida pelo nono lugar. Eu então olhei para as façanhas extraordinárias de Jorge Lorenzo e isso fez os meus esforços parecerem pouco mais que algo básico”.

“Terminar em quinto em uma corrida de 26 voltas apenas 36 horas depois de uma cirurgia em casa, em Barcelona, para colocar uma placa de titânio e oito parafusos em uma clavícula fraturada em um treino livre, mostra o quanto um título mundial significa para ele.”

“Foi uma mensagem clara para qualquer aspirante a campeão mundial sobre o que você deve estar preparado para passar por cima para conquistar sua ambição.”

“Você tem de estar pronto para colocar seu corpo e o limite da dor na linha. Jorge certamente fez isso ao longo do fim de semana.”

Álvaro Bautista: “Este fim de semana foi especial por conta das circunstâncias. Primeiro a lesão de Jorge na quinta. Ele foi para a casa, operou, e voltou para correr! Sinceramente, não pensei nem que ele pudesse ligar a moto. Creio que ele merece todo respeito e admiração pelo que fez. Está claro que ele é um campeão. Marc também não fica atrás, ele caiu no sábado e fraturou dedos da mão e do pé. Esta lesão afeta menos a pilotagem, mas incomoda muito e não é fácil com estas motos tão pesadas e com tanta potência. Também é preciso tirar o chapéu, de novo, para ele. Outro campeão. E para arrematar a corrida, Rossi voltou a ganhar outra vez. Parecia que estava lhe custando acompanhar o ritmo dos três da frente, mas nesta pista ele estava muito forte e soube aproveitar a ocasião para subir no degrau mais alto do pódio. Parabéns a todos eles pelo corridão que fizeram”.

Sam Sunderland: “Começando a perceber o quão louca é a MotoGP... Esses caras são loucos!! Lorenzo – clavícula quebrada na quinta-feira, operação na sexta, corrida no sábado. Márquez – grande queda, dedo quebrado e aí termina em segundo!!!”

Julián Simón: “Hoje este esporte mítico que é o motociclismo se tornou ainda maior com gestos como o de Jorge e o retorno do maior de todos: Valentino Rossi #Heróis”.

Heikki Kovalainen: “Eu disse para vocês ontem que sentia que Lorenzo ia voltar. Tiro o chapéu para ele. É preciso coragem para correr com uma clavícula quebrada”.

Álex Rins: “Os milagres com Lorenzo existem!! Valente! O mago da MotoGP. #magiclorenzo99”.

Maverick Viñales: “Impressionante! O que fez correndo hoje em Assen foi brutal e te faz ainda maior! Parabéns, Jorge! Um abraço”.

Supermoto

No último domingo, logo depois de conquistar o segundo lugar do GP da Holanda de Moto2, Scott Redding seguiu para a Bélgica para disputar a etapa de Spa-Francorchamps do Campeonato Belga de Supermoto. A participação do piloto da Marc VDS tinha como meta arrecadar fundos para ajudar crianças com câncer.

Redding participou de prova de Supermoto em Spa-Francorchamps (Foto: Marc VDS)
A prova contou com pilotos que participam regularmente dos campeonatos belga e holandês, além de outros pilotos convidados, como Grégory Fastré, atual campeão do Mundial de Endurance de Superstock.
A bordo de uma Kawasaki KX450F, Scott somou três pontos na primeira bateria, que foi vencida por Marc Fraikin, multicampeão belga e holandês de Supermoto, e se classificou para a segunda prova da competição.

Na segunda bateria, que foi vencida por Jaimie van Sikkelerus, Redding foi um pouco melhor e somou mais quatro pontos, se classificando para a Superfinal. Cansado após o fim de semana em Assen, o britânico optou por não disputar esta última fase, que teve Kevin Novelli Vieillevoye como vencedor.

“A corrida foi divertida, mas também trabalhosa, especialmente na sessão de terra. Pilotar na terra com pneus slicks e então ir para o asfalto com terra nos pneus foi interessante, mas muito divertido”, comentou o líder da Moto2. “Foi um ótimo dia aqui em Spa. Todos que eu conheci foram fantásticos e espero que tenhamos arrecadado um bom dinheiro para as crianças também”, completou.

Redding segue treinando na Bélgica antes de embarcar rumo a Sachsenring para a última etapa da Moto2 antes da pausa de verão.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

On Board

Os pilotos da MotoGP chegam em Termas de Río Hondo nesta semana para a primeira rodada de testes oficiais, que acontecem nos dias 4 e 5 de julho. Antes da chegada dos competidores do Mundial, René Zanatta, diretor do time que leva seu nome, foi o primeiro argentino a percorrer os 4.805 metros do traçado com uma moto de competição, uma Kawasaki 600cc SS.

“A pista é muito técnica, tem setores muito rápidos e exigentes, combinados com outros de média velocidade, mas que exigem um grande equilíbrio da moto e muita técnica”, comentou. “É preciso pensar muito para sair rápido das curvas. O asfalto é maravilhoso, não tem imperfeições e se percebe quando aumenta a velocidade.”

“Sem dúvidas, é um circuito de características mundiais, no melhor nível das pistas europeias. Foi um enorme prazer rodar com a moto em Termas de Río Hondo”, falou. “Ver este circuito com as obras concluídas foi uma grande satisfação e uma alegria enorme por tudo que foi conquistado”, concluiu.

Às vésperas do treino com os pilotos do Mundial, a organização do GP da Argentina divulgou um vídeo com Zanatta rodando pela pista.

O campeão voltou

Jorge Lorenzo foi o grande herói do GP da Holanda, mas a prova em Assen foi uma festa completa nos boxes da Yamaha. Depois de 2 anos, 8 meses e 19 dias, Valentino Rossi voltou ao degrau mais alto no pódio para conquistar a sua 47ª vitória pela fábrica de Iwata, a 80ª na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

Ao cruzar a linha de chegada de Assen à frente de Marc Márquez – aquele que é apontado por muitos como seu substituto (em talento e carisma) –, Rossi mostrou ao mundo e, principalmente, a si mesmo, que ainda é capaz de vencer.

Após a vitória, Rossi não conseguia esconder a alegria e colocou o triunfo na Catedral como uma das melhores vitórias de sua carreira. “Esta é uma das vitórias mais especiais da minha carreira. É uma que eu quis muito, que eu esperei muito”, declarou. “Coloco este GP no pódio das minhas vitórias, porque faz muito tempo desde que eu venci e espero que isso possa aumentar a minha velocidade e nível, e eu possa lutar com esses caras todos os finais de semana”, comentou.

Valentino reconheceu que também tinha suas dúvidas em relação a suas chances de voltar a vencer e lembrou as duas difíceis temporadas que viveu com a Ducati entre 2011 e 2012.

Parceiro de todos os momentos, Jeremy Burgess celebra triunfo em Assen com Rossi (Foto: Yamaha)
“Sinceramente, eu não estava certo de que eu poderia vencer novamente, porque faz muito tempo desde a minha última vitória em Sepang, mas também porque foi um momento difícil. Tive duas temporadas muito difíceis, muito frustrantes, com muitos resultados ruins”, recordou. “O lado positivo é que a Yamaha me deu outra chance de pilotar uma M1 de fábrica, então um grande obrigado à Yamaha.”

Extasiado com o triunfo, Rossi afirmou que precisaria assistir a corrida outra vez para entender o que acontecia. “Gosto deste momento, mas ainda não assimilei muito bem. Preciso assistir a corrida algumas vezes para ver quando cruzei a linha de chegada na primeira posição.”

“Eu precisava de tempo para estar 100%”, falou. “Foi um resultado muito bom na primeira corrida e depois disso eu tive muitas dificuldades e não pude usar o meu estilo. A partir do teste em Aragón nós demos um bom passo e fui muito rápido em todos os treinos aqui e me senti bem”, explicou.

O multicampeão italiano contou que sentiu muito confiante em Assen e as coisas correram de acordo com o que ele imaginava e planejava. “Nós não mudamos nada entre o warm-up e a corrida e esta é a primeira vez desde 2002”, disse. “Antes da corrida, pensei que tinha de vencer e que este era o meu dia.”

“Jorge estava ferido e não em 100%, então eu tinha de tentar vencer e a corrida foi perfeita. Fiz uma ótima largada e passei Cal [Crutchlow] e Stefan [Bradl] na primeira volta, e aí eu estava com as duas Honda”, relatou. “Esta era a minha meta, porque eu sabia que Marc e Dani tinham um ritmo muito forte. Eu era um pouco mais rápido e ultrapassei Marc, mas eu precisei de mais algumas voltas com Dani, e uma vez na ponta, mantive o meu ritmo.”

“Em um momento, vi em um telão que Jorge estava muito perto e eu pensei: ‘Pô, será um grande problema se ele chegar na minha frente com uma clavícula quebrada’”, brincou. “Quando vi na minha placa que era Marc e não Dani que estava em segundo, eu entendi que podia vencer”, continuou.

Por fim, Valentino reforçou que ele e seu time não estavam certos de que poderiam voltar a vencer, mas destacou que nunca desistiu. Rossi, no entanto, lembrou que é cedo para dizer se ele voltou à sua antiga forma ou não.

“Nós não estávamos certos de que poderíamos vencer outra vez, mas nós nunca desistimos. Uma semana depois do Catar, todos diziam que Valentino estava jovem outra vez, mas depois de Austin, era que Valentino estava acabado”, afirmou. “Eu fiquei no mesmo nível, mas para estar no topo, você precisa de tudo 100%. Eu estava pilotando como no ano passado, quando cheguei 30s depois.”

“A coisa mais importante é ficar 100% concentrado e física e mentalmente preparado para as corridas e dar o meu melhor. Não vou vencer toda semana, mas ainda tenho o potencial, a paixão e a força para lutar toda semana”, encerrou.

Com o resultado em Assen, Rossi atingiu a marca de 4646 pontos ao longo desses 18 anos de carreira no Mundial de Motovelocidade.